Rádio Antigo, Gabinete em Baquelite – Fonte: Wikipedia

O rádio é aquele veículo que, ao se ver diante do advento da televisão, nos meados do século passado, todos vaticinavam o seu ocaso. Afinal, o novo veículo de comunicação viria forte, com bem mais informação e veríamos as pessoas! Pior para o rádio. A conjugação de imagem e som seriam a pá de cal deste, a sua completa obsoletização, coerindo com as premissas de “Galáxia Gutemberg”, do Marshall McLuhan. Porém, o velho e amável rádio, não só para o Grupo Queen, sobreviveu. Passou por uma série de mudanças, tecnológicas e de linguagem, mas se manteve com seu nicho próprio. O rádio que tu ouves agora, junto ao teu “desktop“, por mais sofisticado que o for (pode utilizar tecnologia digital, pode ter sintonia por PLL, etc.), é o mesmo rádio preconizado por Marconi, Landell de Moura, Maxwell, Hertz, etc.

Rádio-ChipTEA5767
Mudam-se as tecnologias de fabricação, como o TEA 5767, Philips, um rádio em um chip (imagem ao lado), por exemplo, mas o princípio da radiotransmissão é o mesmo daquele de quando Landell de Moura fazia experimentos no Brasil, ao mesmo tempo em que Marconi os fazia idem na Itália.

Nas páginas a seguir veremos como construir um rádio das antigas, conhecido por Rádio de Gelena, utilizando material que pode sair de rádios modernos, ou de sucata, mas mantém o mesmo princípio básico daqueles rádios antigos, tanto utilizados no front como na cabeceira do homem com recursos, em meados do século 20. No lugar do cristal de galena, que lhe dá o nome, utilizaremos como retificador um diodo moderno, com relação ao cristal, mas obsoleto, com relação a alguns diodos retificadores. Veremos, no decorrer do texto, o porquê da utilização de um diodo de germânio, em vez do seu equivalente moderno, feito de silício.

Este rádio também era chamado, nas casamatas, de foxhole. O nome já diz muito. Os soldados não o utilizavam só pela simplicidade ou só pelo custo. Em plena Segunda Estupid., digo Guerra, Mundial, os ingleses, por exemplo, não podiam ouvir rádio comercial. Este possuía um circuito, o Oscilador Local, que era facilmente detectado pelos alemães; o galena, por não dispor deste circuito, sendo do tipo não-heteródino, não era detectado. O custo era, sim, proibitivo. Mas a proibição de utilização do rádio comercial, como se disse, decorria de estratégia de não ser detectado pelo inimigo.

Abaixo, vemos a representação em bloco de um rádio de galena.

Rádio Galena em Blocos - Wikipedia

Para este rádio eu fiz uma plaquinha de circuito impresso, através do gEDA. Não é necessário, a rigor, montá-lo em uma PCI, dado o baixíssimo número de componentes, e também devido ao fato de ser um rádio experimental, e em AM, onde há maior tolerância a fios e trilhas mais longos ou até mesmo uma disposição mais “macarrônica”, mas a placa de C. I. deixa um aspecto mais organizado e mais enxuto. Se você quiser exibir o radinho em uma feira de ciências, por exemplo, sem dúvida que a montagem em uma PCI versus  em uma ponte de terminais ou mesmo uma montagem “aranha” (com os componentes interligados um ao outro), não deixa dúvida de qual vai ser aquela a deixar melhor impressão. Vemos abaixo o nosso esquema, feito no gEDA (você poderia fazer esta simples plaquinha em qualquer suíte de eletrônica, com resultados semelhantes, como o Eagle, mas eu utilizo o gEDA por ser software livre e gratuito.

Radio Galena - Morvan, gEDA

Um fato engraçado é que este rádio não necessita de alimentação, desde que utilizes fone de cristal, como no projeto original. A fonte do sinal vem da própria emissora, e, se moras próximo a uma, terás uma boa recepção. De qualquer modo, requer-se uma boa antena. No decorrer do trabalho, teremos mais explicações sobre este rádio.

Só, antes de qualquer coisa, dizer da minha estupefação quando procurei componentes para rádios de galena naqueles sítios de compra e venda. Havia-os, sim, tanto o “kit” como os componentes em avulso. Fiquei boquiaberto com os preços. Exorbitantes. A rigor, não são uma recomendação para a prática de eletrônica, estes preços praticados; pelo contrário, devem servir de incentivo à montagem deste modelo, cujo investimento é mínimo. Os componentes podem, como disse, ser aproveitados de rádios antigos e a bobina deve ser confeccionada pelo próprio montador, como faziam os velhos técnicos e aficionados em eletrônica linear. Se quiserdes utilizar um amplificador na saída do galena, nada impede. Mas aí será necessário haver alimentação elétrica, para alimentar, claro, o amplificador, cuja demanda se dá em Watts, não em frações de, como este antigo e envolvente rádio.

 

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